Magnésio: influência genética e equilíbrio corporal
Por Jeanine Teófilo O papel do magnésio no organismo O magnésio (Mg), é um micronutriente essencial e o segundo cátion intracelular mais abundante, armazenado...

Por Jeanine Teófilo
O papel do magnésio no organismo
O magnésio (Mg), é um micronutriente essencial e o segundo cátion intracelular mais abundante, armazenado principalmente nos ossos e músculos esqueléticos, com menos de 1% encontrado no soro. Desempenha papel crítico na ativação enzimática, sinalização celular, metabolismo energético e em inúmeras funções fisiológicas, incluindo etapas da sinalização da insulina e do metabolismo da glicose, a função cardiovascular e renal. Embora o metabolismo do magnésio não seja diretamente regulado por hormônios tradicionais, seu equilíbrio depende principalmente da absorção intestinal e da excreção renal. A deficiência crônica de magnésio contribui para diversos processos fisiopatológicos, incluindo inflamação, estresse oxidativo, disfunção endotelial e agregação plaquetária. Consequentemente, pode levar ao desenvolvimento de diversas doenças subclínicas, como resistência à insulina e metabolismo lipídico alterado, todas as quais aumentam o risco de doença cardiovascular (DCV).
O papel crucial da membrana do receptor de potencial transitório melastatina 6 ( TRPM6 ) na regulação da absorção e reabsorção de Mg está bem estabelecido, destacando seu potencial na homeostase do Mg. Polimorfismos de nucleotídeo único (SNPs) de TRPM6 rs2274924 (T>C) e rs3750425 (C>T) estão relacionados à absorção de Mg, podem diminuir a atividade do canal TRPM6 , alterando a sequência de aminoácidos e a conformação das proteínas do canal, reduzindo potencialmente a absorção intestinal de Mg e a reabsorção renal de Mg e, consequentemente, diminuindo os níveis corporais de Mg, explicando cerca de 1,6% da variabilidade sérica de Mg em meta-análises de GWAS. Pesquisas mostraram que o Mg circulante é crucial para a secreção de insulina e a sua falta pode ter um efeito direto na transformação de glicose em glicose-6-fosfato, impedindo assim a liberação de insulina nas células β-pancreáticas.
TRPM6: o principal gene ligado à absorção e reabsorção de magnésio
Estes polimorfismos foram associados a um maior risco de diabetes gestacional (DMG), diabetes mellitus tipo 2 (DM2) e meningomielocele, um defeito no tubo neural. Um estudo que incluiu 997 mulheres grávidas da Coorte de Nascimento de Berlim descobriu que participantes com mutação nas variantes rs2274924 e rs3750425 tinham níveis mais altos de hemoglobina glicosilada total e maior probabilidade de desenvolver DMG. Outro estudo chinês demonstrou o mesmo risco para o alelo C rs2274924. Estes estudos ressaltam a importância de monitorar e abordar o status de Mg durante a gravidez, e conhecer a genética para estes genes trás um olhar de maior atenção e cuidado. Ainda, a influência genética do TRPM6 alteraram a associação positiva entre o Mg dietético e o Mg plasmático, afetando assim o efeito protetor da ingestão de Mg contra DMG. Entre a população em geral, um estudo combinando os loci rs2274924 e rs3750425 do gene TRPM6 sugeriu, de forma semelhante, que a incidência de DM2 foi significativamente aumentada pela ingestão inadequada de Mg em mulheres com menos alelos polimórficos. Recomenda-se a suplementação em portadores do polimorfismo, com baixa ingestão alimentar, para mitigar riscos.
Outros polimorfismos relacionado aos níveis sérico de magnésio são o rs4072037 do gene MUC1 , rs3925584 no gene LOC101928338 ( DCDC5 ) e rs13146355 no gene SHROOM3 . O MUC1 , codifica a mucina transmembrana envolvida na barreira intestinal e possui SNPs reguladores (ex. rs4072037) associado aos níveis séricos de magnésio, possivelmente afetando a absorção paracelular de magnésio, já o papel do DCDC5 na regulação do Mg não é totalmente conhecido, mas este gene está associado à taxa de filtração glomerular (TGF) e à creatinina sérica, sugerindo uma potencial influência no processamento tubular renal de magnésio.
O gene SHROOM3 codifica a proteína Shroom3, um regulador chave da organização do citoesqueleto de actina e da morfogênese celular. A função principal do SHROOM3 está relacionada à regulação da estrutura e função dos podócitos glomerulares nos rins, células críticas para a filtração renal, influenciando a reabsorção de íons, incluindo o magnésio. Variante genética, identificada em estudos de associação genômica ampla (GWAS), o alelo G (rs13146355; G>A) está associado a níveis mais baixos de Mg²⁺ sérico, explicando cerca de 0,19-0,2% da variância nos níveis de Mg em populações de ascendência europeia. Essa variante também se associa nominalmente a hipomagnesemia clinicamente definida e a maior taxa de filtração glomerular estimada, sugerindo impacto na função renal, possivelmente via excreção reduzida de Mg nos rins. Em condições fisiológicas normais, aproximadamente 2.400 mg de magnésio plasmático são filtrados diariamente pelos glomérulos, sendo cerca de 90% reabsorvidos e 3% a 5% excretados na urina.
Embora o magnésio sérico seja comumente usado para avaliar o estado do magnésio na prática clínica, ele não é um indicador confiável do magnésio corporal total. Notavelmente, o magnésio sérico constitui apenas 0,3% do magnésio total do corpo, com a maior parte armazenada nos ossos, músculos e tecidos moles. A homeostase do magnésio é rigorosamente regulada por meio de um equilíbrio dinâmico de absorção intestinal, excreção renal e armazenamento ósseo. Como resultado, o magnésio sérico normalmente permanece dentro da faixa de referência normal, especialmente na deficiência crônica de magnésio.
O Escore de Depleção de Magnésio (MDS), é um sistema de pontuação projetado para prever a deficiência de magnésio. O MDS incorpora quatro fatores de risco estabelecidos, a saber, uso de diuréticos, uso de inibidores da bomba de prótons, taxa de filtração glomerular estimada e abuso de álcool. Esses fatores de risco são conhecidos por comprometer a capacidade dos rins de reabsorver magnésio. Escores mais altos no MDS indicam maior gravidade da deficiência de magnésio. Foram encontradas associações mais fortes entre os valores do MDS e o comprometimento metabólico e alterações cardíacas em comparação com o magnésio sérico. Além disso, estudos populacionais encontraram associações da ingestão dietética de magnésio com melhores marcadores de RMC da função diastólica. Um ensaio clínico randomizado demonstrou que a suplementação oral de magnésio melhorou a síndrome metabólica, reduzindo a pressão arterial, a hiperglicemia e a hipertrigliceridemia.
Todos estes SNPs apresentam influência significativa na redução dos níveis de magnésio, assim como os efeitos adversos relacionados. O teste genético BioNutrientes da Biogenétika® permitem identificar essas variações, auxiliando na definição de estratégias personalizadas de consumo alimentar e suplementação, no acompanhamento de riscos de saúde, promovendo um cuidado mais direcionado e eficaz.
Conceito de polimorfismo
*Conceito de polimorfismo: são as variações na sequência de DNA que podem alterar as proteínas produzidas pelo organismo podendo gerando impactos para as vias envolvidas, metabolismo e saúde de quem as porta. Para ser considerado um polimorfismo esta variação precisa ser de no mínimo 1% em uma população.
Referências
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